Domingo de manhã, saí de casa para ir a um brunch perto de casa, foi dia de workshop e em dia de workshop tomo um pequeno almoço reforçado, porque sei que só volto a conseguir comer à noite.
Como o sítio era relativamente perto de casa, fui a pé. No caminho cruzei-me com um senhor que corria na minha direcção e uma senhora com um ar de avó querida a andar também na minha direcção. Para que o senhor pudesse passar, a senhora e eu afastamo-nos em sentidos opostos e demos espaço. Depois a senhora, olhou-me fundo nos olhos e com um sorriso exclamou: ele estava com pressa. Sorri de volta e respondi: pois estava. Despedimo-nos em uníssono: tenha um bom dia.
Fiquei alguns instantes a matutar na espontaneidade e genuinidade com que a senhora me dirigiu conversa. E dei por mim a pensar que para ela tinha sido muito natural falar comigo, alguém que não conhecia. A verdade é que com a idade nos vamos libertando de alguns condicionamentos sociais, damos menos importância ao que os outros pensam de nós.
Horas mais tarde no fim do workshop, estava a falar da importância de nos conhecermos e de sabermos o que é bom ou não para nós e sem medo assumirmos isso.
E voltei a lembrar da senhora e das frase populares que todos dizemos, ou já dissemos: “com a idade está mais teimoso”, “diz tudo o que quer”, “parece que está mais intolerante”.
O que penso que se passa na verdade é que com a idade vamos perdendo esse condicionamento de dizermos o que os outros querem ouvir.
Não é por acaso que dizem que a velhice é a segunda infância. Só agora percebi parte do sentido da frase! É que tal como a criança, à medida que vamos envelhecendo, vamos ficando mais próximos da nossa verdadeira essência.

Abraço
Raquel Santos, Psicóloga & Consultora

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