Abre a porta e deixa-me ficar. Convida-me a entrar enquanto estendes o braço e te fixas no meu olhar. Já sei em que condições devo chegar, pé ante pé, com a certeza que a minha presença te é bem-vinda.
Cerro a mão e bato na porta duas vezes. Saberás que sou eu, dizes que conheces de cor o meu perfume. Se souberes mais sobre mim sem ser o perfume, sabes que se entrei é provável que me demore.
Se me agradar a conversa, oiço-te até de madrugada. Se não me ofereceres chá, fico até abrires o vinho.
Saberás que sou capaz de abrir portas de par em par, mas quando for preciso sei fecha-las sem olhar para trás.
Também já deves saber que o vermelho da tua porta me deixa inquieta. E já te ocorreu que antes de entrar olho pelo postigo e só depois tiro as mil voltas da chave e solto a corrente.
A porta entreaberta diz-me muito pouco, porque não sei se é para ir ou ficar. Por isso abre-a e deixa-me ficar.

Deixe uma resposta para Bastidores da Escrita Cancelar resposta